O gap crítico na comunicação de riscos que coloca milhares de trabalhadores em perigo
A Estatística alarmante
Em uma investigação conduzida pelo U.S. Chemical Safety and Hazard Investigation Board (CSB), uma descoberta chocante veio à tona: 41% das Fichas de Dados de Segurança FDS (substituiu a FISPQ) de materiais conhecidos por produzirem poeiras combustíveis não alertavam os usuários sobre potenciais riscos de explosão.
Isso significa que quase metade dos documentos de segurança — aqueles que deveriam ser a principal fonte de informação sobre riscos — simplesmente omitiam um perigo que pode ser fatal.
No Brasil estima-se que este número é ainda maior.
O Contexto: 281 Incidentes, 119 Mortes
Entre 1980 e 2005, o CSB identificou 281 incidentes envolvendo poeiras combustíveis que resultaram em:
- 119 trabalhadores mortos
- 718 trabalhadores feridos
- Danos extensivos a inúmeras instalações industriais
O caso mais notório ocorreu em 7 de fevereiro de 2008, quando uma explosão de poeira de açúcar em uma refinaria em Port Wentworth, Geórgia, causou 14 mortes e deixou dezenas de trabalhadores gravemente feridos com queimaduras severas.
Por que este gap é tão Perigoso?
O problema vai além da omissão. Dos 59% das Fichas de Segurança que mencionavam algum risco relacionado a poeiras:
- A informação não estava em um local ou formato claramente reconhecível pelos trabalhadores
- O texto não era específico sobre os riscos de poeiras combustíveis
- Não havia orientações práticas sobre prevenção de explosões
- Faltavam dados técnicos essenciais (Kst, MIE, MEC)
O problema da “Condição Normal de Uso”
Muitos fabricantes argumentavam que seus produtos não apresentavam risco em sua forma original. E tecnicamente, eles estavam corretos — pellets de plástico, grânulos de açúcar ou blocos de madeira não explodem.
Mas aqui está o problema crítico: quando esses materiais são processados downstream (moídos, cortados, lixados ou mesmo transportados), eles inevitavelmente geram poeira. E essa poeira é combustível, é explosiva.
📋 EXEMPLO REAL
Em 1991, em Littleton, New Hampshire, um trabalhador foi ferido quando 180 kg de poliestireno granular passaram por um micropulverizador. A FDS do material não alertava sobre o risco de explosão durante o processamento. Um pedaço de metal passou pelo sistema, ignizou a poeira e causou uma explosão que arremessou a porta do coletor de pó.
O impacto na Cadeia de Segurança
Quando a Ficha de Segurança não comunica adequadamente os riscos, cria-se um efeito dominó:
- Gestores não reconhecem o risco
Sem informação adequada, a gerência não investe em controles preventivos
↓ - Trabalhadores não são treinados
Funcionários desconhecem os perigos e não tomam precauções básicas além de poderem, sem ideia, iniciar um grande acidente
↓ - Equipamentos inadequados
Sistemas de ventilação, coletores de pó e áreas de trabalho não são projetados para riscos de explosão
↓ - Housekeeping negligenciado
Acúmulo de poeira não é visto como prioridade crítica e a limpeza não é suficiente
↓ - Fontes de ignição não controladas
Equipamentos não classificados nem certificados, trabalhos a quente sem precauções
O que a OSHA, nos Estados Unidos, exige agora
Em resposta a essas descobertas, a OSHA estabeleceu diretrizes claras. As Fichas de Segurança devem agora incluir:
- Alerta explícito sobre potencial de formação de poeiras combustíveis
- Parâmetros técnicos (quando conhecidos): Kst, MIE, MEC, tamanho de partícula
- Precauções específicas para manuseio seguro
- Medidas de controle aplicáveis (ventilação, sistemas de supressão, alívio de pressão)
- Referências a normas aplicáveis (NFPA 660, NFPA 68, etc.)
No Brasil a ABNT NBR 14725 é a norma brasileira que trata da classificação, rotulagem e comunicação de perigos de produtos químicos, ela não é específica sobre poeira, porém exige que pó/poeira seja tratado na FDS sempre que representar perigo químico, físico ou à saúde. Ela destaca que mesmo que o produto não seja classificado como explosivo, o risco deve ser informado em “Outros perigos” e aqui ela se conecta com a NFPA 660, mas não é exigido os parâmetros da poeira, somente listado como “podem ser indicados”. Esta norma exige na seção 10 que seja informado caso a poeira seja inflamável, se puder explodir em suspensão e se reagir com oxidantes.
Neste quesito o Brasil está bem atrás.
E a sua empresa? Está protegida?
Se sua operação processa materiais em pó ou que geram poeira durante fabricação, faça estas perguntas:
- As FDS dos seus materiais alertam sobre riscos de explosão de poeira?
2. Você conhece os parâmetros de explosividade (Kst, MIE, MEC) dos seus materiais?
3. Suas áreas foram classificadas por um profissional certificado?
4. Seus trabalhadores foram treinados sobre riscos de poeiras combustíveis?
5. Você tem um programa de housekeeping rigoroso para evitar acúmulo de poeira?
6. Seus equipamentos são monitorados para não gerarem faíscas ou centelhas?
7. Os itens nos locais classificados são certificados para aquele ambiente?
8. Seus sistemas de coleta de pó possuem supressão ou alívio de explosão?
9. Você monitora continuamente os níveis de poeira em áreas críticas?
A solução: monitoramento contínuo com DumoPro
Não espere que um acidente aconteça para descobrir que suas FDSs eram inadequadas. O sistema DumoPro, comercializado no Brasil pela Grunn, oferece:
- Monitoramento contínuo em tempo real de concentrações de poeira
- Alertas automáticos quando níveis aumentam fora do normal
- Conformidade com diretrizes da OSHA, normas NFPA e no Brasil o INMETRO e Corpo de Bombeiros
- Informações precisa para ajudar a manter a segurança
- Possibilidade de tomada de decisão assertiva.
O gap de 41% nas FDSs não é apenas uma estatística — é um risco real que coloca vidas em perigo todos os dias. Enquanto aguardamos que todos os fabricantes atualizem suas fichas de segurança, sua empresa pode e deve tomar medidas proativas.
A prevenção começa com informação. E informação confiável começa com monitoramento adequado.
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