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Kst: O número que pode explodir seu negócio (Literalmente!)

Kst: O número que pode explodir seu negócio (Literalmente!)

Quando falamos em explosão de poeira, muitos profissionais pensam que isso só acontece em fábricas de produtos químicos ou ambientes altamente inflamáveis. Mas e se eu te disser que açúcar, farinha e leite em pó podem explodir?

Sim, a poeira pode explodir, e essa possibilidade pode ser medida por um número chamado Kst. Mas o que exatamente isso significa? 

O Que é o Kst?

Uma das formas de categorização das poeiras* é baseada no valor Kst. Os padrões mais utilizados para testes de deflagração na América do Norte são as normas ASTM E1226-19 e ASTM E1515-14, publicadas pela American Society for Testing and Materials e na Europa o EN 14034-2 [estas normas são usadas como referência normativa da ABNT 16.385 que dispõe sobre Sistemas de prevenção e proteção contra explosão — Fabricação, processamento e manuseio de partículas sólidas combustíveis].

O Kst é um valor que representa a taxa máxima de aumento de pressão quando uma poeira combustível entra em combustão em um ambiente de teste de 1m³. Em outras palavras, ele indica o potencial explosivo de um determinado tipo de poeira.

A sigla vem do alemão:
K = Konstante (constante)
st = Staub (poeira)

Basicamente, quanto maior o Kst, mais violenta pode ser a explosão. Para padronizar essa medição, os materiais são classificados em quatro categorias:Agora, aqui está o problema: um Kst baixo não significa segurança!

⚠️ Baixo Kst = Risco Baixo? MITO!

Muitas das explosões mais letais envolvendo poeira aconteceram com materiais de Kst baixo ou moderado. O exemplo mais famoso?

💥 Explosão da Refinaria de Açúcar Imperial (Savannah, 2008) saiba mais sobre esse acidente aqui : https://grunn.com.br/blog/licoes-explosivas-o-caso-imperial-sugar/ 

  • Material envolvido: açúcar (Kst ≤ 200, explosão considerada “fraca”)
  • Mortes: 14
  • Feridos: Vários trabalhadores sofreram queimaduras severas e tiveram sua vida afetada permanentemente pelas lesões.
  • Causa: Uma pequena ignição dispersou poeira acumulada, desencadeando múltiplas explosões secundárias que destruíram a instalação.

Esse caso mostra que o Kst não é o único fator que define o risco. A quantidade de poeira acumulada, sua dispersão no ambiente e a presença de uma fonte de ignição são tão ou mais importantes do que o próprio número.

O Verdadeiro Perigo Está na Dispersão

O grande risco da poeira combustível não está apenas em sua presença, mas sim na maneira como ela se comporta no ambiente. Poeira acumulada em equipamentos, tubulações e superfícies elevadas pode parecer inofensiva, mas basta uma perturbação – como um jato de ar, a movimentação de equipamentos ou até um simples passo em um local mal limpo – para que essa poeira seja suspensa no ar e forme uma nuvem inflamável. Se houver uma fonte de ignição presente nesse momento, o resultado pode ser catastrófico.

Se há poeira acumulada, há risco.
Se há uma fonte de ignição, o perigo é real.
Se não há um controle eficiente, sua operação pode estar em perigo.

A importância da Análise de risco de poeira

Uma das etapas da Análise de Risco de Poeira (Dust Hazard Analysis – DHA) é identificar os tipos de poeira combustível presentes em um processo produtivo, mas, por si só, não determina seu real potencial explosivo — apenas indica que a poeira pode ser explosiva. Para avaliar o risco de explosão de uma poeira específica, é necessário realizar testes em um laboratório especializado. Nesse ambiente controlado, uma amostra da poeira é inflamada e analisada para determinar suas características de combustibilidade e explosividade.

Dois pontos importantes dessa análise são: 

✅ O valor Kst: representa a taxa de aumento da pressão, ou seja, a velocidade com que a onda de explosão se propaga caso a poeira entre em combustão. De certa forma, ele mede a gravidade relativa de uma substância em relação a outra. A forma, o tamanho e o nível de umidade das partículas de poeira são alguns dos fatores que determinam esse valor. 

✅ O valor Pmax: refere-se à quantidade máxima de pressão gerada durante uma deflagração de poeira e ao potencial de dano que a poeira combustível pode causar em um espaço confinado. Essa medição permite compreender o potencial destrutivo da poeira quando confinada.

Quanto maior a pressão (Pmax) gerada pela deflagração da poeira, maior o risco envolvido. A pressão resultante de uma deflagração em um recipiente fechado pode levar, inicialmente, à deformação da estrutura e, caso o Pmax ultrapasse a resistência do recipiente, ocorrerá uma explosão.

O Que Você Pode Fazer?

1️⃣ Evite o acúmulo: Poeira não pode ser deixada para “varrer depois”. Estratégias eficazes devem incluir a limpeza periódica de todas as áreas propensas ao acúmulo,como superfícies de equipamentos, interior de instalações e até mesmo vigas. A poeira acumulada deve ser removida regularmente, pois representa um risco. Além disso, medidas preventivas devem ser adotadas para minimizar a formação e concentração de nuvens de pó.

2️⃣ Controle fontes de ignição: Evite faíscas, descargas eletrostáticas e altas temperaturas que podem iniciar uma explosão. Isso inclui a manutenção adequada de equipamentos elétricos, uso de ferramentas adequadas para atmosferas explosivas e a implementação de sistemas eficazes de aterramento.Saiba mais sobre controle de fontes de ignição e como reduzir riscos no ambiente industrial.

3️⃣ Implemente sistemas de prevenção: A ventilação adequada é essencial para controlar a concentração de poeira no ambiente, evitando sua suspensão no ar e reduzindo as chances de formar uma atmosfera explosiva. Sistemas eficientes de exaustão e filtragem garantem que a poeira seja capturada antes que possa se acumular ou se tornar um perigo real. Nesse contexto, conheça o Dumo Pro, uma solução eficaz para a segurança industrial.

✅Sempre um Passo à Frente: Mantenha uma vigilância ativa

A prevenção eficaz depende do monitoramento constante das condições do local. Sensores e sistemas de detecção devem ser instalados para medir os níveis de poeira suspensa no ar e identificar a presença de fontes de ignição. Inspeções regulares e auditorias de segurança ajudam a antecipar riscos, garantindo que medidas corretivas sejam tomadas antes que uma situação crítica ocorra. O monitoramento contínuo permite a tomada de decisões rápidas e baseadas em dados, aumentando significativamente a segurança no ambiente.

E agora? Você sabe qual é o Kst da poeira na sua instalação?

Se a resposta for “não sei”, é hora de investigar! 🚨

* Além do parâmetro Kst (constante de explosão de poeiras), que mede a severidade de uma explosão, existem outras formas de avaliação da inflamabilidade e intensidade da queima de camadas de poeira. Como por exemplo, Combustion Class e o Índice de Explosibilidade (IE), que combina a Severidade da Explosão (ES) e a Sensibilidade à Ignição (IS), vide ABBASI, Tasneem; ABBASI, S. A. Dust explosions–Cases, causes, consequences, and control. Journal of Hazardous Materials, v. 140, p. 7–44, 2007. DOI: 10.1016/j.jhazmat.2006.11.007.

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