HomeArtigosCamadas de poeira de Milho ou Soja podem causar explosões? A Resposta é sim e os números mostram por quê
Artigos, Poeira Combustível e Áreas Classificadas
5
minutos para leitura

Camadas de poeira de Milho ou Soja podem causar explosões? A Resposta é sim e os números mostram por quê

Quando falamos sobre poeiras combustíveis na indústria de grãos, uma dúvida comum aparece em praticamente todos os treinamentos, auditorias e conversas técnicas: “Uma camada fina de poeira de milho ou soja realmente é suficiente para causar um flash-fire ou até uma explosão?”

A percepção geral é que um pouco de poeira no chão não representa risco, mas os dados mostram exatamente o contrário.

Neste artigo, vamos demonstrar — com cálculos simples e totalmente aplicados à realidade agrícola — como apenas alguns décimos de milímetros de poeira podem criar um cenário explosivo completo.
Milho e soja, os dois grãos mais movimentados no país, serão usados como exemplo.

Por que poucos milímetros já representam um grande risco?

Porque as poeiras combustíveis acumuladas no chão não ficam somente no chão.
Qualquer distúrbio — vibração, descarga de material, abertura de portas, deslocamento de veículos ou até vento interno — pode suspender essa poeira no ar e transformar uma camada fina em uma nuvem perfeitamente combustível.

Quando essa nuvem atinge concentração suficiente e encontra uma fonte de ignição, o resultado pode ser:

  • flash-fire (propagação rápida da chama)
  • explosão primária
  • explosão secundária, muito mais devastadora, alimentada por poeira acumulada em outras partes da planta

E o pior: isso acontece mesmo com poeiras de baixa granulometria e em quantidades pequenas.

O experimento: milho e soja sob a mesma metodologia de avaliação

Para mostrar isso na prática, usamos um cálculo adaptado para as características das poeiras de milho e soja.

Vamos considerar um túnel com quantidade de oxigênio maior que 12% (algo normal) medindo: 100 m x 5 m, com 2 metros de altura.

Caso 1 — Poeira de MILHO: camada de 1 mm pode causar uma enorme explosão

Parâmetros típicos da poeira de milho:

  • CME ou MEC (Concentração Mínima de Explosão): 60 g/m³ (segundo ABNT NBR 16385)

  • Densidade aparente: entre 560 e 720 kg/m³

Sendo conservador e usando a menor densidade (560 kg/m³) em 1 mm de camada teremos 448 gramas de poeira depositada por metro quadrado. 

560 kg / 1000 mm x 1 mm = 0,560 kg ou 560 gramas

Quando esta poeira, estando nas mesmas condições do teste da referida norma, se dispersar e se erguer por 2 metros (altura do túnel em questão), teremos uma concentração por metro cúbico de 280 gramas de poeira.

560 gramas / 2 metros = 280 gramas de poeira

Agora, vejam o perigo:

A concentração mínima de explosividade da poeira do milho (segundo tabela normativa) é de 60 gramas por metro cúbico. Neste exemplo chegamos a 280 gramas. Isso é 4,6 vezes mais. Caso exista fonte de ignição, uma explosão forte irá acontecer.

Se pensarmos no túnel teremos um local de 10.000 m³

Sendo 5.000 m² de solo teremos depositado 2.800 kg/m²  

100 metros x 5 metros = 5.000 m² 

5.000 m² x 0,56 gramas = 2.800 kg

Sendo assim teremos 2.8 toneladas de combustível esperando uma faísca ou uma fonte de calor.

 

Caso 2 — Poeira de SOJA: menos de 1 mm já basta

Parâmetros típicos da poeira de soja:

  • CME ou MEC (Concentração Mínima de Explosão): 200 g/m³ (segundo ABNT NBR 16385)
  • Densidade aparente: entre 400 a 700 kg/m³

Sendo conservador e usando a menor densidade (400 kg/m³) em 1 mm de camada teremos 400 gramas de poeira depositada por metro quadrado. 

400 kg / 1000 mm x 1 mm = 0,400 kg ou 400 gramas

Quando esta poeira, estando nas mesmas condições do teste da referida norma, se dispersar e se erguer por 2 metros (altura do túnel em questão), teremos uma concentração por metro cúbico de 200 gramas de poeira.

400 gramas / 2 metros = 200 gramas

Agora, vejam o perigo:

A concentração mínima de explosividade da poeira do milho (segundo tabela normativa) é de 200 gramas por metro cúbico. Neste exemplo chegamos a 200 gramas. Caso exista fonte de ignição, uma explosão irá acontecer.

Se pensarmos no túnel teremos um local de 10.000 m³

Sendo 5.000 m² de solo teremos depositado 2.000 kg/m²  

100 metros x 5 metros = 5.000 m² 

5.000 m² x 0,400 gramas = 2.000 kg

Sendo assim teremos 2 toneladas de combustível esperando uma faísca ou uma fonte de calor.

O que esses resultados mostram sobre a segurança industrial?

Esse valor de 1 milímetro representa camadas finas, quase imperceptíveis durante a operação diária.

E ainda assim, são suficientes para:

  • atender ao Pentágono da Explosão
  • gerar um evento de combustão rápida
  • danificar estruturas
  • comprometer operações
  • colocar vidas em risco

A realidade é simples:

Na indústria de grãos, o que você não vê pode ser o que mais ameaça a operação.

Como reduzir o risco?

A gestão do risco por poeiras combustíveis deve ser contínua e sistemática.

Recomendações essenciais:

  • Housekeeping eficiente e frequente
  • Monitoramento de acúmulos em treliças, vigas, passadiços e áreas de difícil acesso
  • Sensores de detecção para monitoramento em tempo real
  • Inspeções planejadas
  • Treinamento de equipes
  • Identificação de fontes potenciais de ignição
  • Ventilação e captação adequadas

Os cálculos deixam claro:

Sim, 1 milímetro de poeira de milho ou de soja podem causar uma explosão.

E por isso, ignorar acúmulos mínimos é um erro — especialmente em ambientes industriais onde suspensões repentinas de poeira são comuns.

Prevenir nunca é demais. Prevenir é necessário.

Quer reduzir o risco de explosões por poeira de milho e soja na sua operação? A Grunn pode ajudar.

A prevenção de explosões começa com informação confiável — e se fortalece com monitoramento contínuo. Se a sua indústria lida com milho, soja ou qualquer tipo de poeira combustível, fale com nossos especialistas e descubra como sensores inteligentes podem transformar seu processo.

Entre em contato e leve mais segurança, eficiência e tecnologia para a sua operação.

Compartilhe