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IEC 60079-10-2 ganha nova edição: o que muda na classificação de áreas com poeiras combustíveis

Em 29 de junho de 2026, a IEC (International Electrotechnical Commission) publicou a edição 3.0 da norma IEC 60079-10-2, que trata da classificação de áreas com atmosferas explosivas de poeiras combustíveis. O documento, elaborado pelo comitê técnico TC 31 da IEC, substitui a edição 2.0, de 2015, e representa uma revisão técnica relevante para plantas que operam com grãos, farinhas, açúcar, rações e outros materiais particulados combustíveis.

Para o Brasil, a atualização importa porque a norma brasileira equivalente, a ABNT NBR IEC 60079-10-2, é uma adoção do texto internacional, elaborada pela Comissão de Estudo do Cobei. Historicamente, esse processo de incorporação levou cerca de um ano: a edição 2015 da IEC foi internalizada pela ABNT em 2016. Ainda não há uma data confirmada para a nova versão brasileira, mas a expectativa é de que o mesmo caminho se repita, o que torna o tema uma pauta de atenção antecipada para engenheiros de segurança, projetistas e responsáveis técnicos por áreas classificadas.

Por que essa atualização interessa à indústria, e não só aos especialistas em normas

Classificação de área não é um exercício documental: é a base que define quais equipamentos podem ser instalados em cada ponto da planta, qual investimento em proteção “Ex” é necessário e qual nível de exposição a risco uma operação está assumindo, mesmo sem perceber. Uma classificação desatualizada ou mal fundamentada tende a gerar dois tipos de problema financeiro: superdimensionamento, com gasto desnecessário em equipamentos com grau de proteção acima do exigido (e muitas vezes que não mitigar o problema), ou subdimensionamento, que expõe a planta a autuações, paralisações e, no pior cenário, acidentes e mortes. Segurança de processo e resultado operacional caminham juntos aqui: a norma existe para que a decisão de investimento em proteção seja baseada em dado técnico, não em suposição.

O que muda na edição 3.0

A nova edição não reformula os conceitos centrais da norma, mas refina a metodologia de avaliação em pontos que afetam diretamente a qualidade da documentação de classificação de área. Entre as principais mudanças:

  • Revisão dos critérios para determinar a frequência de ocorrência de nuvens de poeira combustível, com orientações mais detalhadas sobre como avaliar a duração da atmosfera explosiva.
  • Inclusão explícita de condições operacionais anormais previsíveis como fator de análise, e não apenas a operação em regime normal.
  • Maior alinhamento terminológico e estrutural com a IEC 60079-10-1, a norma equivalente para gases inflamáveis, o que facilita a leitura conjunta em plantas que lidam com os dois tipos de risco.
  • Tratamento mais aprofundado de depósitos de poeira na forma de camadas: como se formam, como se ressuspendem e viram nuvem, e qual o papel real da limpeza (housekeeping) e da manutenção na prevenção dessa transição.
  • Exemplos de referência atualizados para instalações típicas do setor, como silos de grãos, armazéns graneleiros, filtros de manga, esteiras transportadoras, elevadores de canecas, moinhos e estações de ensacamento.
  • Exigências mais claras sobre o que precisa constar na documentação de classificação: características da poeira, premissas adotadas, grau das fontes de liberação e condições de ventilação consideradas.

Na prática, essas mudanças tendem a tornar os laudos de classificação de área mais rastreáveis e mais fáceis de auditar. Isso é relevante tanto para o time interno de segurança quanto para negociações com seguradoras e para inspeções regulatórias, que costumam cobrar justamente esse nível de fundamentação técnica.

O que fazer enquanto a ABNT não publica a versão nacional

A edição 3.0 da IEC ainda não tem correspondente formal na ABNT, e não é recomendável antecipar prazos que dependem do processo de normalização do Cobei. Mas isso não significa que a atualização deva ser ignorada até lá. Plantas que já convivem com poeira combustível no processo, agronegócio, moagem, processamento de alimentos e indústria farmacêutica entre os setores mais expostos, podem usar esse período para revisar a documentação de classificação existente e identificar lacunas, principalmente em relação a depósitos de camadas e condições operacionais anormais, dois pontos que ganharam peso na nova edição.

Monitoramento contínuo de poeira em pontos críticos é uma das formas de gerar justamente o tipo de dado histórico que uma classificação de área bem documentada exige. E é aí que entra o papel da Grunn: como distribuidora exclusiva no Brasil de tecnologias internacionais de monitoramento de poeira, a Grunn conecta empresas a soluções que ajudam a sustentar, com dado real de operação, o processo de classificação de área e a gestão contínua desse risco. 

Se a sua planta ainda não revisou a classificação de área nos últimos anos, ou se a documentação existente não cobre depósitos de camadas e condições anormais de operação, este é um bom momento para colocar o tema na pauta, antes que a versão brasileira da norma torne essa revisão obrigatória.

Fale com a Grunn e entenda como monitoramento contínuo de poeira combustível pode apoiar a documentação técnica da sua classificação de área. 

Saiba mais em www.grunn.com.br.

Perguntas frequentes

O que é a IEC 60079-10-2? É a norma internacional que estabelece a metodologia para classificar áreas industriais com presença de poeiras combustíveis, definindo zonas de risco (Zona 20, 21 ou 22) e orientando a seleção de equipamentos e o projeto de instalações em áreas classificadas.

Qual a diferença entre a edição 2.0 e a edição 3.0 da norma? A edição 3.0, publicada em 29 de junho de 2026, refina os critérios de avaliação de frequência e duração de nuvens de poeira, passa a considerar condições operacionais anormais previsíveis, aprofunda o tratamento de depósitos em camadas e amplia o alinhamento com a norma de gases inflamáveis (IEC 60079-10-1).

A ABNT já publicou a versão brasileira correspondente à edição 3.0? Ainda não. A norma brasileira, ABNT NBR IEC 60079-10-2, costuma ser publicada como adoção idêntica da versão internacional, processo que na revisão anterior levou cerca de um ano entre a publicação da IEC (2015) e a da ABNT (2016). Não há data confirmada para a internalização da edição 3.0.

Quais setores são mais impactados por essa atualização? Setores com manuseio de materiais particulados combustíveis, como agronegócio, moagem, processamento de grãos e alimentos, açúcar e indústria farmacêutica, são os mais expostos a atmosferas explosivas de poeira e, portanto, os mais impactados pela revisão dos critérios de classificação de área.

Por que a documentação de classificação de área é importante além da conformidade regulatória? Porque ela orienta decisões de investimento em equipamentos de proteção “Ex”, reduz o risco de superdimensionamento ou subdimensionamento de proteção, e serve como base técnica em auditorias, negociações de seguro e, principalmente, na prevenção de paradas não programadas por incidentes com poeira combustível.

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