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Temperatura de ignição de poeiras explosivas: o que realmente determina o risco de ignição em nuvem e em camada

Quando falamos em atmosferas explosivas, dois fatores costumam receber muita atenção: concentração de poeira e presença de fontes de ignição. Mas existe um terceiro fator — frequentemente negligenciado — que determina se uma poeira vai incendiar, inflamar ou explodir: a sua temperatura de ignição.

A literatura técnica, normas e bancos de dados como na NFPA 499 e GESTIS – Dust Ex Database mostram que poeiras combustíveis não possuem um único valor de ignição, e sim dois valores distintos, dependendo de como essa poeira aparece no ambiente:

  • Temperatura de ignição da nuvem (T cloud)
  • Temperatura de ignição da camada (T layer), muitas vezes definida para espessuras padrão, como 5 mm ou 50 mm

Ou seja: uma mesma poeira pode acender facilmente quando está suspensa no ar, mas resistir muito mais à ignição quando depositada no chão — ou vice-versa.

A seguir, explicamos o que cada uma significa, por que são diferentes e como devem ser usadas na seleção de equipamentos e na avaliação de risco.

Temperatura de ignição da nuvem de poeira (T cloud)

A ignição da poeira em forma de nuvem ocorre quando a poeira está suspensa no ar e exposta a uma fonte de calor.

Nessa condição, a poeira possui:

  • maior área de contato
  • maior oxigenação
  • maior facilidade de combustão
  • partículas com mobilidade e turbulência

Isso faz com que a temperatura necessária para ignição seja muito menor (na maioria dos casos).

Por exemplo:

O dado mais chamativo dessa tabela é o enxofre, que tem T cloud extremamente baixa: 210°C.

Motores e caixas de engrenagem atingem facilmente essa temperatura. Cuidado na seleção dos equipamentos.

Temperatura de ignição da camada de poeira (T layer)

É a temperatura mínima necessária para fazer uma camada de poeira entrar em incandescência, mesmo sem turbulência.

A norma costuma padronizar essa medição para camadas de 5 mm, mas também prevê valores para camadas acima de 50 mm, já que a espessura altera drasticamente o comportamento térmico.

Por exemplo:

Observe que:

Quase nenhum produto possui T cloud maior que T layer. Mas nos exemplos anteriores vimos que o açúcar e o enxofre são exceção. Geralmente uma poeira suspensa exige mais energia para inflamar do que a mesma poeira depositada no chão.

Por que os valores de ignição variam tanto?

Isso acontece porque a temperatura de ignição depende de:

  • granulometria
  • teor de umidade
  • densidade da camada
  • impurezas
  • composição da partícula

Por isso, dois bancos de dados (ou duas normas) podem apresentar valores muito diferentes para uma mesma poeira.

O único valor realmente confiável é aquele determinado pelo ensaio do seu próprio material em laboratório.

CUIDADO: O limite de temperatura para equipamentos “Ex” deve ser calculado.

A ABNT NBR IEC 60079 deixa claro:

A temperatura máxima de superfície de um equipamento Ex deve ser sempre inferior aos valores de ignição (T cloud e T layer).

E mais:
Quando existe poeira em forma de camada, a norma aplica fatores de correção, como:

  • Para camadas até 5 mm:
    T máx do equipamento ≤ T layer – 75°C
  • Para camadas acima de 50 mm:
    T máx pode ser limitada a apenas 60°C

Ou seja:

➡️ Quanto maior a espessura da camada, menor deve ser a temperatura permitida para os equipamentos instalados o local.
➡️ A poeira age como isolante térmico — ela “cozinha” sobre a superfície quente até inflamar.

A correlação entre espessura da camada e temperatura máxima permitida

Uma das imagens traz um gráfico clássico mostrando essa relação:

  • Camadas finas permitem temperaturas mais altas.
  • À medida que a camada engrossa, a temperatura máxima permitida cai drasticamente.

Por exemplo, usando os valores do gráfico para enxofre:

  • T cloud = 210°C
  • T layer 5 mm = 250°C
  • Mas com 50 mm de camada: limite cai para 60°C (!)

Limpeza: o fator esquecido que vira causa de explosão

O material destaca três níveis de limpeza segundo a ABNT NBR 60079-10-2:

  • BOM: Camadas desprezíveis, acumuladas por poucos minutos ou horas.
  • REGULAR: Camadas existem, mas são removidas dentro de um ciclo previsível.
  • POBRE: Camadas persistem por longos períodos, acumulando 5, 10, 20 mm ou mais.

E a observação mais importante é esta: Quando a limpeza não é mantida, o risco de explosão aumenta significativamente — inclusive explosões secundárias.

Poeira não é “só sujeira”, é energia armazenada

  • Poeiras combustíveis não têm comportamento uniforme.
  • Seus valores de ignição variam amplamente com condições de processo.
  • Poeiras podem inflamar com temperaturas surpreendentemente baixas.
  • A presença de camadas altera completamente a temperatura segura para equipamentos permitidos.
  • A limpeza não é estética — é prevenção de explosões.

O principal erro das indústrias ainda é subestimar o risco de pequenas camadas.

A temperatura de ignição é um dos parâmetros mais importantes para avaliar risco de explosão em instalações com poeiras combustíveis.

Ignorar esse dado — ou usar valores genéricos — pode levar a:

  • seleção incorreta de equipamentos
  • superfícies mais quentes do que deveriam
  • ignição silenciosa de camadas
  • incêndios progressivos
  • explosões primárias e secundárias

Para garantir segurança real, é essencial:

  • conhecer a poeira específica da sua planta
  • aplicar corretamente T cloud  e T layer
  • considerar espessuras de camada
  • validar as temperaturas dos equipamentos
  • ter uma política de limpeza rigorosa
  • monitorar acúmulos invisíveis

Quando entendemos as temperaturas de ignição, fica ainda mais claro o quanto pequenas camadas fazem grande diferença.
Por isso, monitorar o acúmulo de poeira é um dos pilares da prevenção em áreas classificadas.

A Grunn está ao lado da sua equipe para apoiar esse monitoramento e fortalecer a segurança da sua operação.

Entre em contato e leve mais segurança, eficiência e tecnologia para a sua operação.

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